DESAFÍOS CONTEMPORÂNEOS E RELEVÂNCIA SOCIAL DA DISCIPLINA PSICOLÓGICA
Por Dr. Andrés J. Consoli
Presidente, Sociedad Interamericana de Psicología
Prezadas Autoridades, Colegas, Colegas-em-formação, Companheiras e Companheiros é um privilégio assim como uma responsabilidade impar dirigir-me brevemente a vocês neste ato de abertura do trigésimo segundo Congresso Interamericano de Psicologia da Sociedade Interamericana de Psicologia.
Como presidente da SIP e membro da comissão assesora do Congresso lhes trago uma saudação fraternal, de solidaridade e de cooperação interamericana. E também lhes trago as felicitações por parte da mesa diretiva da SIP, celebrando psicologia de toda Guatemala, por demonstrar que é possível um projeto nacional, que os científicos e cientificas, acadêmicos e profissionais de um país e região podem trabalhar em conjunto planejando e organizando um evento do alcance de um congresso interamericano.
É nosso compromisso coletivo que o Congresso sirva para gerar e divulgar conhecimentos e praticas que nos permitam garantir nossa capacidade profissional de encarar o sofrimento e a dor humana, o odio, a discriminação, a violência, e a injustiça social. As necessidades urgentes de nossos povos assim o requerem e esto é o que buscam obter e compatilhar os e as científicos, profissionais, acadêmicos e estudantes que participarão no Congresso.

Dr. Andrés Consoli junto con el Comité Organizador XXXII CIP (Congreso Interamericano de Psicologia)
Psicologia e Pobreza
Psicologia e Direitos humanos
Psicologia e Desastres
Psicologia e Colaborações transnacionais.
Considero estas quatro iniciativas como uma síntese importante dos desafíos contemporâneos e da relevância social que pode e deve alcançar a disciplina psicológica.
Lhes peço licença para resenhar brevemente estas iniciativas:
1. Psicologia e Pobreza: Tal como indica recentemente um relatório da APA sobre o tema, a pobreza é uma ameaça para a saúde mental. Através desta iniciativa buscamos identificar os recursos, estratégias e intervenções desde a disciplina psicológica que sejam de particular ajuda para as pessoas que vivem em situações econômicas desesperantes, denominadas alternativamente como gente pobre, os pobres, pessoas com escassos recursos econômicos, entre outros termos.
2. A segunda iniciativa, Psicologia e Direitos Humanos, está estreitamente relacionada com a primeira iniciativa, particularmente quando consideramos dimensões como educação significativa, moradia digna, saúde tanto física como mental, trabalho apropriadamente remunerado, liberdade civil, mas também liberdade de violência, tanto da violência de estado, expressada em privação ilegítima da liberdade e tortura assim como o terrorismo, a violência urbana, bandoleiros e a violência doméstica.
3. Em relação a terçeira iniciativa, Psicologia e Desastres, os países das Américas são afetados por desastres naturais assim como humanos com uma regularidade alarmante. Mediante aos desastres, a urgência dificulta o importante. A disciplina psicológica pode e deve avançar um trabalho estrutural que ajude não somente na resposta frente a urgência senão também a construir infra-estrutura, fundada no principio de que a prevenção e a preparação são parte de toda intervenção.
4. Finalmente, a quarta iniciativa gira em torno da Psicologia e Colaborações Transnacionais: em um mundo infestado de globalização a qual impõe discursos e ações neocoloniais, são justamente os intercâmbios e colaborações transnacionais a todos os niveis: científico, acadêmico, aplicado, profissional, institucional, etc. que podem ajudar de maneira relevante a superar as injustiças significativas que caracterizam as Américas, sempre e quando estas colaborações estejam caracterizadas pela cooperações emancipatórias e o respeito mútuo, e não pelo oportunismo e a dependência.
Além destas quatro iniciativas presidenciais que ilustram minha perspectiva sobre os desafíos contemporâneos e a relevância social da disciplina psicológica, quero aproveitar esta oportunidade para compartilhar as seguintes reflexões.
Entendo que o desafío contemporâneo ímpar que enfrenta a disciplina psicológica é justamente o da sua relevância social. E isto não é porque a psicologia como disciplina carece de relevância social, senão mais bem o desafío surge da necessidade de dar prioridade as respostas que demos as perguntas do por qué e para qué da disciplina psicológica, privilegiando aquelas respostas que possam dar conta das imperiosas, francamente necessidades urgentes que massacram aos nossos povos.
Porém antes de adentrar-me nestas reflexões, quero senhalar o por quê da disciplina psicológica no título. Acredito que a expressão enfatiza a importância de trascender o dualismo teoría vs. prática, ciência vs. profissão e permita nos abraçar a uma integração que afirme a necessidade recíproca de teoría e prática, de ciência e profissão. Justamente, acredito que é sumamente perigosa uma práctica profissional que descuida suas fontes científicas e um reducionismo que não se justifica que a ciência não se ocupe de colaborar com seus profissionais em desenvolver os fundamentos científicos necessários para a praxis. Confío em que estas palavras não perpetúen a dicotomía entre ciência e profissão senão que o superem nas expressões contemporâneas que conceptualizam ao profissional como um científico/a local, comprometido com a realidade na qual toda ciência está imersa.
Agora bem, quero enfocar minhas seguintes reflexões como psicólogo clínico e de counseling, assim como cidadão privilegiado pela educação recibida, em duas considerações as quais ilustram minha tese de que o desafío contemporâneo da psicologia é sua relevância social, uma tese que a todas luces por todos os lados se emarcam na questão moral da nossa disciplina psicológica.
A primeira consideração se centra no papel fundamental que jogam os fatores psicosociais na saúde e na doença.
A segunda consideração explicita o acceso dispar que caracteriza a experiência das pessoas que necessitam cuidados em saúde mental e afirma a necessidade de uma ação responsável que devemos levar adiante pelo bem de nossas sociedades.
Estou certo que a audiência já vislumbra que minha seleção de estas duas considerações finais surgem em consonância com o lema do Congresso, Psicologia: um Caminho para a Paz e a Democracía. Justamente, a disciplina psicológica pode e deve fazer sua parte na pluralidade de caminhos que levam a nossas sociedades a consolidar a paz e afirmar a vida em democracía.
Como lhes dizía, a primeira consideração se centra no papel fundamental que jogam os fatores psicosociais na saúde e na doença. Para apreciar estes fatores psicosociais podemos utilizar o marco de fatores de risco, ou seja, comportamentos que vulnerabilizam a pessoa. Se estima que mais de cinqüenta por cento dos problemas em saúde estão diretamente relacionados com fatores psicosociais e estilos de vida, e mais de cinqüenta por cento das mortes se podem atribuir a fatores psicosociais e estilos de vida. E hoje, graças a psicologia da saúde e de counseling, devemos nos perguntar não somente pelos fatores de risco senão também pelos fatores protetores os quais podem tanto afirmar a saúde de uma pessoa como ajudar-la em sua recuperação frente a um processo de doença. É justamente a disciplina psicológica a qual pode e deve consolidar o desenvovimento dos fatores de proteção, enquanto se trabalha na diminuição dos fatores de risco.
Por exemplo, entre as doenças cardiovasculares encontramos dois fatores de risco comportamentais significativos, a má alimentaçao e a vida sedentária, e como fatores de proteção ou de recuperação, a alimentação saudável e a atividade física.
Mesmo assim, muitas pessoas não sabem o que lhe faz mal, enquanto que outras sabem. Entre as primeiras, o desafío é de educação, enquanto que entre as segundas, é de motivação (entre outros), sendo este último talvez um dos temas mais importantes na disciplina psicológica.
Novamente, quando se considera a relevância social da psicologia para saúde e doença, os exemplos são infinitos. Penso no contexto das doenças contagiosas em que lavar frequente as mãos é talvez o exemplo paradigmático que as pessoas conhecem a importância de fazer porém cuja instrumentação em ação é difícil. Similarmente, o uso do preservativo nas relações sexuais, onde jogam fatores culturais na negociação interpessoal. Ou em acidentes, a função que joga a raiva e inexpêriencia nos mesmos; ou o papel que joga a drogadição na violência.
Agora bem, é particularmente perigoso se a unidade de análise da disciplina psicológica se aponta ao individuo. Portanto, é de máxima importância que se extenda este análise para a pessoa considerando –a em seu contexto interpessoal e social.
Tomemos as dimensões psicológia, pobreza, e disparidades em saúde. Desde a psicologia da saúde se documentou amplamente que as expectativas de vida diminuem ao reduzir a escala laboral; que as pessoas com escassos recursos tendem a viver em meio ambientes perigosos onde estão expostos a toxinas, particularmente o plomo; que as condutas saúdaveis (por. ej., o exercício) tendem a ter pouca presença entre as pessoas com escassos recursos porém para isso desempenham um papel importante as determinantes ambientais como é o acceso limitado a áreas recreativas; e que enquanto nos EUA 16% da população (uma de cada seis pessoas) não tem seguro médico, existem diferenças étnicas marcadas onde a porcentagem se eleva a 33% entre os latinos/as (um de cada três) que carecem de seguro médico. Sabemos também que as pessoas com limitados recursos sócio-econômicos tendem a estar expostos a maiores niveis de estrés, tanto agudo como crônico. E desde a psicologia social se ha trabalhado o conceito de meritocracia onde o estatus sócio-econômico se construi de maneira inapropriada como algo logrado em vez de adscrito, ou seja como algo individual em vez de estrutural, enquanto que se expõe e especifíca o estigma associado com a pobreza.
A segunda e última consideração que lhes apresentar esta manhã no marco da abertura do XXXII CIP-SIP, o qual também é cônsona com o lema do congresso, se centra nos cuidados em saúde mental, particularmente no acesso dispar aos mesmos o qual expressa uma injustiça social digna de nosso interesse e ação responsável concomitante.
Nos EUA somente um terço das pessoas que são diagnosticadas com uma desordem, trastorno, ou enfermedade mental acessam aos serviços necessários. Este número de por si é alarmante. E é ainda mais quando introduzimos outras variáveis relacionadas com o acesso aos serviços em saúde mental. Segundo o relatório federal, Pueblo saludable 2010 “Em um mundo socialmente justo, tod@s deveríam ter acesso potencial aos cuidados em saúde enquanto que o acceso logrado devería ser determinado pela necessidade em vez de características da estrutura social.” Porém quando tomamos em conta variáveis como a etnía, nos EUA encontramos que um de cada três diminuiu para um de cada cinco entre as minorías étnicas, e entre os imigrantes um de cada 10, e entre as pessoas que não resolveram seu estatus imigratório, se estima que somente uma de cada 100 pessoas diagnosticadas com um trastorno mental acessam aos serviços necessários.
Acredito que vale a pena aprofundar nestas considerações tomando uma dimensão que nos deve ocupar como científicos e científicas, acadêmicos e acadêmicas, e profissionais comprometidos e comprometidas e privilegiados e privilegiadas, esta é a do compromisso público. Nos EUA., enquanto que a carga por doenças mentais é de 20%, os gastos en saúde mental variam entre os 5 e os 7% do total de gastos em saúde. E mesmo esto é assim nos países mais afluentes nos países maioritarios como os latino-americanos os gastos em saúde mental variam entre um e dois por cento segundo a OPS e a OMS. Em ambas organizações indicam que os gastos não deveríam baixar dos 10 %. Claramente, esta é uma área que requer de nossa labor para conseguir um aumento significativo dos recursos assignados para o tratamento de nossos (as) pacientes.
Resumindo, pobreza, direitos humanos, desastres, colaborações transnacionais, fatores de risco e de protetores, acesso aos cuidados em saúde mental constituem, entre outros, desafíos contemporâneos importantes que afirmam a relevância da disciplina psicológica. Justamente, o lema do Congresso nos acerca a um tempo quando a psicologia seja ainda mais relevante socialmente.
Agora sim, retomando ao lançamento que nos chama, os congressos interamericanos são uma expressão nacional em que se comemora a pluralidade de identidades nacionais e seu encontro com as identidades regionais e interamericanas. É uma ótima oportunidade para conhecer o local e nacional assim como favorecer o intercâmbio internacional.
Convido-lhes a que possamos construir um congresso memorável, não somente como produto senão também como processo e trascendência do mesmo. Que entre todos e todas façamos deste caminho em direção ao Congresso, e do Congresso mesmo, um sucesso caracterizado pela colaboração e a aprendizagem, o diálogo e o debate, o desenvolvimento de competências culturais e o consolidamento da humildade cultural.
Seja então nosso trabalho até o XXXII Congresso Interamericano de Psicologia da Sociedade Interamericana de Psicologia a plena afirmação da pluralidade de identidades em todas suas expressões, seja nossa labor um arco iris de retalhos tecidos por diversas mãos.
Seja nossa labor, definitivamente, a expressão viva de uma disciplina psicológica caracterizada pela sua relevância social, que nos permita encarar as necessidades mais importantes de nossos povos, enquanto trabalhamos juntos e juntas no compromisso de obter os recursos sociais, econômicos, e políticos necessários para a labor.
Quero então neste momento fazer o traspasso formal da bandeira da SIP para a Mag. María del Pilar Grazioso em representação do comitê executivo do XXXII CIP-SIP. Seja esta bandeira símbolo da responsabilidade e a confiança depositada em todos e todas nós.
Felicitamos a Guatemala e muitíssimo obrigado a todos e a todas pela sua amável atenção.

Dr. Andrés Consoli hace entrega de la Sede del XXXII CIP a Ma. del Pilar Grazioso M.A.
